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RECOMEÇO

— Passa tudo que você tem de valor! AGORA!           Foi surpreendido com essa frase. Não era um horário típico dessas abordagens, nem a rua em que se encontrava estava dentre as mais perigosas da cidade. Todavia, estava sendo abordado por um elemento que carregava um revólver na mão esquerda; tinha que aceitar, era um assalto.           Pensou rapidamente, não tinha nada de valor, estava apenas caminhando. Tudo de valor material seu encontrava-se a alguns quarteirões dali. Mas, não levaria o bandido para sua residência. Então, veio-lhe a pior opção e a mais cabível ao momento, negociar com o bandido. — Não trouxe nada de valor! Tô só caminhando! Deixei tudo em casa! — Nada!? O bandido lançou um olhar incrédulo. — Não! Nada! Pra ser franco, ainda fui deixado semana passada pelo meu namorado! Meu coração tá quebrado! Fui traído! Pronto, tenho meu coração quebrado! Leve-o!           O bandido avaliou, olhou o rosto...

ÁRVORE DE INVERNO

          Já passava das dez, e seu marido não chegara. Ultimamente estava chegando muito tarde em casa, mas dessa vez havia ultrapassado todos os limites. Felipe andou de um lado para o outro, em um apartamento de oito cômodos. Sentia-se nervoso, preocupado, talvez obcecado, por não saber onde seu companheiro havia se metido.           Chegaria cambaleante? Ou com um cheiro tônico em sua boca, em seu corpo? Ou andando normalmente? Ou mentindo debilmente? E havia mil e uma outras opções, as quais Lipe pensou. Encaminhou-se a sala, delicadamente encarou o telefone, que retribuía o olhar, chamando-o para teclá-lo habilmente e estancar (ou não) a sua preocupação. Chorou muito, não queria fazer isso, todavia, ele aceitou o flerte do eletrônico e começou a teclá-lo, discando nervosamente o número do seu amor.           Foi dada a largada, veio o 1º bip, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, …, até que a chamada...