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O meu semblante

Ele estava parado no canto, se apoiando em um poste. Mexia nervosamente no celular. Trajava uma camisa estampada e uma bermuda jeans.  Ele me conhecia, e eu o conhecia. Mas, talvez ele nem se lembrasse, pois tantos anos nos separaram que provavelmente o meu semblante não lhe fosse mais familiar. Queria ir falar com ele, e olhar naquele lindo par de olhos castanhos que tantas vezes me confortou. Queria acariciar aquela barba, e beijar aquele pescoço. E, queria ainda mais, mais, mais... Eu o conhecia, e sempre seria aquele que o conheceria melhor. Ele era maravilhoso, por dentro e por fora, era uma pessoa cujas palavras até sumiam porque não eram capazes de contemplar o ser que ele é. Minhas pernas estavam travadas, e meu coração acelerado. Repentinamente ele tirou os olhos do celular e os lançou em minha direção, e se eu fosse cardíaco, o enfarte era certo.  Ele sorriu para mim, um sorriso que coloriu meu mundo. Andei meio desajeitados em sua direção. Sobre o que iríamos falar,...

ÁRVORE DE INVERNO

          Já passava das dez, e seu marido não chegara. Ultimamente estava chegando muito tarde em casa, mas dessa vez havia ultrapassado todos os limites. Felipe andou de um lado para o outro, em um apartamento de oito cômodos. Sentia-se nervoso, preocupado, talvez obcecado, por não saber onde seu companheiro havia se metido.           Chegaria cambaleante? Ou com um cheiro tônico em sua boca, em seu corpo? Ou andando normalmente? Ou mentindo debilmente? E havia mil e uma outras opções, as quais Lipe pensou. Encaminhou-se a sala, delicadamente encarou o telefone, que retribuía o olhar, chamando-o para teclá-lo habilmente e estancar (ou não) a sua preocupação. Chorou muito, não queria fazer isso, todavia, ele aceitou o flerte do eletrônico e começou a teclá-lo, discando nervosamente o número do seu amor.           Foi dada a largada, veio o 1º bip, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, …, até que a chamada...