ÁRVORE DE INVERNO
Já passava das dez, e seu marido não chegara. Ultimamente estava chegando muito tarde em casa, mas dessa vez havia ultrapassado todos os limites. Felipe andou de um lado para o outro, em um apartamento de oito cômodos. Sentia-se nervoso, preocupado, talvez obcecado, por não saber onde seu companheiro havia se metido. Chegaria cambaleante? Ou com um cheiro tônico em sua boca, em seu corpo? Ou andando normalmente? Ou mentindo debilmente? E havia mil e uma outras opções, as quais Lipe pensou. Encaminhou-se a sala, delicadamente encarou o telefone, que retribuía o olhar, chamando-o para teclá-lo habilmente e estancar (ou não) a sua preocupação. Chorou muito, não queria fazer isso, todavia, ele aceitou o flerte do eletrônico e começou a teclá-lo, discando nervosamente o número do seu amor. Foi dada a largada, veio o 1º bip, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, …, até que a chamada...